
Veiros
Mensagem do presidente
Caros Veirenses,
Decidi postar aqui o meu discurso na tomada de posse dos órgãos autárquicos da nova Freguesia de Veiros, pois é um retrato fiel da mensagem que pretendo transmitir.
Boa noite a todos,
Começo por cumprimentar a Sra. Presidente da Câmara Municipal de Estarreja, restantes vereadores, colegas autarcas, eleitos para Assembleia de Freguesia, Amigos, Veirenses em geral.
Hoje escreve-se uma página histórica na História da Freguesia de Veiros. O dia 3 de novembro de 2025 ficará gravado nas memorias da nossa Freguesia a par do dia 12 de dezembro de 2012, data da nossa primeira emancipação da freguesia de Beduído. Foi um longo e sofrido processo, com momentos em que parecia estar tudo perdido, pedidos da Assembleia da República de aditamento de novas peças processuais com prazos apertadíssimos, de vetos, de tentativas de impugnação junto da Provedora de Justiça, até a Lei que vai regulamentar os pagamentos neste mês e no próximo só na passada sexta-feira foi promulgada. Enfim, foi sofrer até ao fim. Mas, chegámos aqui, conseguimos aquilo a que nos propusemos, e hoje acabamos de dar posse aos nossos órgãos representativos, Junta e Assembleia de Freguesia. Para memória futura lembro uma vez mais os meus companheiros do Movimento Juntos por Veiros, foi o nosso lavor que nos trouxe até aqui. Ao César Marques, ao Joaquim Henriques, à Ana Luisa, à Andreia Tavares, à Vanda Pereira, à Helena Cunha, ao José Domingos, ao Amarino Oliveira, ao Pedro Figueira, ao José Alberto e à Regina Bastos.
Mas a história do nosso passado far-se-á mais tarde, hoje estamos aqui para perspetivar o futuro. Há muito por fazer por Veiros e pelos Veirenses. Na rede viária é imperioso concluir a pavimentação de todos os acessos a habitações, continuar com a aposta na rede hidrográfica, pois sendo Veiros uma Freguesia profundamente plana, a drenagem de águas é sempre um problema, os nossos caminhos Bioria / Cicloria precisam de ser continuamente beneficiados, a conservação dos espaços verdes, o apoio às nossas associações, o apoio às técnicas que operam na área social, etc., etc., etc. Mas há questões fundamentais que temos que abraçar. As nossas escolas estão com capacidade de acolhimento de crianças quase no máximo. Por isso, tal como acontece, e bem, com as crianças que frequentam as escolas das outras freguesias e que têm umas condições excelentes, também nós precisamos rapidamente de pôr em marcha o processo que conduza à requalificação dos dois edifícios e dos seus espaços adjacentes. Sobre o emissário do Canedo estamos falados, a sua resolução seria para ontem, por isso tem que avançar rapidamente. Na saúde, e permitam-me que aqui me alongue um pouco mais, vamos formar uma equipa para liderar este processo. Contará com pessoas ligadas a esta matéria, mas também elementos da Assembleia de Freguesia dos dois partidos que a integram. Temos que estar unidos para podermos lutar por serviços de saúde de qualidade e proximidade na nossa freguesia. Sabemos que o problema da saúde não é exclusivo nosso, nem sequer do nosso concelho, é talvez o problema mais grave deste País. Mas essa dificuldade não nos pode fazer esmorecer, e tal como, aquando do início do processo de desagregação em que nos disseram ser quase impossível ter êxito, mas mesmo assim fomos á luta e conseguimos, também aqui, todos juntos, iremos á luta.
Houve um tempo de luta política, própria em democracia, mas hoje, todos os aqui presentes só podem vestir uma camisola, a camisola de Veiros. Recordo também aqui uma das regras do Movimento Juntos por Veiros, apesar de constituído por pessoas de diferentes simpatias político partidárias, havia um elo que nos unia e era pedra angular do nosso trabalho, o superior interesse da Freguesia de Veiros. Conto com o contributo de todos, sugestões, críticas, mas também vontade de ajudar. As reuniões da Junta serão publicas, as sessões da Assembleia de Freguesia serão o local privilegiado para intervir, iremos formar o Conselho Estratégico para debater de forma alargada as diferentes questões da nossa Terra. Somos todos conhecidos, e deverá ser olhos nos olhos que devemos fazer ouvir as nossas convicções.
Assumindo hoje as funções de presidente da Junta, permitam-me que recorde quem me lançou nestas lides da vida autárquica. O meu amigo e vizinho Manuel Cunha e o também saudoso Sr. Bernardino Nunes de Sousa. O Sr. Bernardino foi, para mim, um exemplo de disponibilidade no serviço aos outros, à comunidade. Numa semana em que a velhinha multibanco nos deixou, recordo que foi ele o principal responsável pela vinda dela para Veiros há muitos anos atrás.
Ainda uma palavra de reconhecimento ao meu amigo Zé Fernando com quem dei os primeiros passos enquanto autarca e com quem aprendi que, naquelas questões que dependem apenas de nós, não podem ficar para amanhã, e como não foram feitas ontem, hoje é o dia de as resolver.
Uma palavra também de agradecimento ao nosso presidente da Junta durante este tempo de agregação, José António Marques. Nunca descriminou Veiros, mas principalmente por ter, não só respeitado a nossa vontade de recuperar a nossa autonomia, como ainda, quando foi preciso, sacrificou-se pela nossa causa. Obrigado amigo José António.
Eu não sou destas coisas, mas hoje permitam-me que agradeça publicamente o papel da minha mulher, que naquelas muitas noites em claro por causa do processo, sempre disse, não desistam, eu tenho fé que nós vamos conseguir. Tenho que reconhecer que ela foi o suporte principal quando o mais fácil era desistir face às constantes dificuldades que iam surgindo. Obrigado, esposa, mãe e avó.
Um obrigado também aos meus filhos, à minha nora e ao meu genro, que sempre me apoiaram nesta caminhada, alertando-me para manter sempre os pés bem assentes no chão, pois expetativas demasiado altas poderiam traduzir-se num eventual desgosto ainda maior. Os meus netos ainda não eram nascidos quando tudo começou, mas aquando daquela entrevista junto das escadarias da Assembleia da República, a minha neta, focada na televisão, já gritava pelo avô.
Termino contando a história de um menino que, tendo completado a 4ª classe na escola da Igreja, foi para o ciclo em Estarreja. Um dia, “chovendo se Deus a dava”, estava juntamente com dois amigos na paragem da camioneta, assim se dizia, esperando pela mesma. Naquele tempo não havia abrigos nas paragens. Entretanto surge um automóvel que pára e convida a entrar. Entra o primeiro, entra o segundo, e quando o terceiro se preparava para entrar, ouve uma voz que diz, neste carro tu não entras. A porta fecha-se e aquela criança fica sozinha sem saber por que foi descriminada. Rapidamente percebeu que não pertencia aquele mundo, pois era filho de pais pobres. Durante muitos anos nunca partilhou esta humilhação, fá-lo hoje, não por revanchismo ou qualquer outro sentimento de vingança. Não. Fá-lo apenas porque essa criança que em 1973 sofreu essa humilhação é hoje presidente da Junta de Freguesia de Veiros, e terá como lema principal, o tratar todos por igual, ricos, pobres, com estudos, sem estudos. Nunca farei aceção de pessoas, em nenhuma circunstância, pois sei bem o que é ser descriminado. Não haverá Veirenses de primeira e de segunda, morem no centro ou nas periferias, serão todos, mas mesmo todos, tratados como Veirenses de primeira. Podem contar comigo, eu também espero contar convosco.
VEIROS SOMOS NÓS, JUNTOS SEMPRE.
VIVA A FREGUESIA DE VEIROS. OBRIGADO